CENA HÍBRIDA QUA19JUL COM RENATO MENDONÇA E MICHELE ROLIM

CENA HÍBRIDA com ADRIANA LAMPERT quartas 21h na DFM!

 

Os jornalistas e críticos de teatro Michele Rolim e Renato Mendonça estiveram na DinamicoFM na noite gélida desta quarta-feira, dia 19 de julho, para compartilhar com os ouvintes do Cena Híbrida um pouco da vivência deles durante uma semana no Festival de Avignon, que iniciou no último dia 06 e segue até 26 de julho. Os dois foram para lá a serviço do site Agora Crítica Teatral, onde são editores, através de uma realização da Aliança Francesa, via Lei Rouanet (do Ministério da Cultura), que contou também com parceria do Instituto Goethe de Porto Alegre.

Considerado um dos principais eventos de artes cênicas do mundo, o “grande” intercâmbio cultural que ocorre na “pequena” cidade de Avignon, no Sul da França, é financiado pelo governo, e existe há 70 anos. Criado com a proposta de descentralizar e democratizar as artes vivas – novo termo para a vasta gama de manifestações cênicas que se vê por aí, segundo Mendonça –, o evento é também um dos maiores atrativos turísticos de Avignon. “Vira um formigueiro, a cidade inteira gira em torno do festival”, comenta o jornalista.

Pensem em um lugar onde a cultura é incentivada pelo poder público, que a entende como fonte de riqueza para a sociedade – literalmente: não apenas em âmbito artístico, mas economicamente falando. Pois existe. Contando com apoio quase totalitário do governo (que interfere positivamente não só com recursos para o festival, mas com fortes políticas públicas para a área cultural), e também com a cumplicidade da população, Avignon tem uma adesão muito grande de turistas. “O evento é um grande frenesi”, define Mendonça.

O japonês Satoshi Miyagi  fez uma adaptação da tragédia grega Antígona (Foto: Divulgação)

“Um diferencial dos demais festivais, principalmente dos que ocorrem no Brasil, é que o evento tem por característica ser ponto de partida para a criação”, explica Michele. Implementado por Jean Vilar em 1947, o Festival de Avignon “convida artistas a conceber os espetáculos naquele ambiente, o que possibilita que a maioria dos espetáculos do  IN estreiem por lá”, completa a jornalista, que, já há alguns anos, desenvolve pesquisa em torno do tema curadoria em festivais de artes cênicas.

Dentre os espetáculos que a dupla assistiu, um destaque é a montagem do diretor japonês Satoshi Miyagi, que, segundo Mendonça, consegue causar fascínio com sua adaptação de Antígona. Influenciado pelo budismo, pelo teatro de marionetes japonês, Bunraku, e pelo Teatro de Sombras indonésio, Miyagi dá uma dimensão mágica a essa tragédia considerada o primeiro símbolo da desobediência ao poder.

Também o português Tiago Rodrigues, diretor do Teatro Nacional Dona Maria II de Lisboa, é um dos nomes em ascensão da cena cultural europeia, destaca Michele. Ele apresentou duas peças no festival, entre elas O Sopro, inspirada em uma velha – e praticamente extinta – profissão do teatro: o “ponto”, aquela pessoa que fica escondida embaixo do palco, encarregada de soprar as falas do elenco em cena. Encenado em um convento, o espetáculo é uma metáfora da memória do teatro.

O Sopro é dirigido pelo português Tiago Rodrigues (Foto:Divulgação)

Além dos 41 títulos do evento oficial, o Festival de Avignon ainda conta com outros 1 mil espetáculos de todos os tipos, em diversos espaços alternativos, na programação OFF. Neste contexto, os jornalistas presenciaram uma verdadeira imersão cultural. Nas ruas, muitos artistas passam o dia todo divulgando seus trabalhos (inclusive figurinados), panfleteando e chamando público para entrar, em clima de feira medieval, como define Mendonça.

Curtiu? Estes e outros relatos da viagem, além, obviamente, das críticas de alguns espetáculos que a dupla assistiu serão publicados em breve no site do Agora Critica Teatral (www.agoracriticateatral.com.br). E dia 05 de setembro, numa terça-feira à noite, os dois jornalistas promoverão um debate aberto ao público no Instituto Goethe, para conversar sobre o formato e trocar ideias sobre os espetáculos que passaram pelo Festival. A entrada franca e aberta ao público em geral.

 

 

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