CENA HÍBRIDA QUA13SET COM GAUDÊNCIO FIDELIS, GUSTAVO RAZZERA E RICARDO GIULIANI

Se tem uma coisa que não dá mais para tolerar em pleno século XXI é a intolerância, com o perdão do trocadilho. Nos últimos dias, Porto Alegre tem convivido com manifestações que assustam qualquer pessoa minimamente simpatizante da palavra liberdade, e consciente do que é a democracia.  O cancelamento da exposição Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, que estava em cartaz há quase um mês no Santander Cultural, levantou essa discussão, e gera um assombro geral, agravado por uma onda de protestos nas redes sociais, de pessoas que - a maioria, com certeza -  sem sequer terem ido à exposição, se queixam de que algumas das obras promovem blasfêmia contra símbolos religiosos e também apologia à zoofilia e pedofilia.

Primeiro a gente tem que entender que arte não faz apologia, arte promove reflexão. Segundo, é preciso respeitar a liberdade de expressão e a liberdade de pensamento - o que não combina com censura. Terceiro, gostar ou não do que se vê em uma obra (seja ela qual for: escultura, pintura, livro, música, peça de teatro, de dança, circo, enfim) não dá direito a ninguém de criminalizar o artista, muito menos de pregar moral de cueca, convenhamos.

A mostra, com curadoria do doutor em história da arte Gaudêncio Fidelis, reunia 270 trabalhos de 85 artistas (muitos deles consagradíssimos nacional e internacionalmente) que abordavam a temática LGBTQ, questões de gênero e de diversidade sexual e percorrem o período histórico de meados do século XX até os dias de hoje. Assinadas por grandes nomes como Adriana Varejão, Cândido Portinari, Fernando Baril, Hudinilson Jr., Lygia Clark, Leonilson e Yuri Firmesa, foram alvo de violentas manifestações, entre mensagens e vídeos compartilhados pelos "críticos" (oi?) e integrantes de movimentos religiosos, liderados principalmente pelo Movimento Brasil Livre (MBL), que pediu o encerramento da exposição e pregou ainda um boicote ao banco Santander. O mais espantoso foi a instituição ceder à essa pressão e ainda lançar nota pedindo desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra.

Diante deste escândalo vergonhoso para a história de Porto Alegre, e considerando o precedente perigoso que o acontecimento abre, Cena Híbrida promoveu um debate na última quarta-feira, com o curador da mostra, Gaudêncio Fidelis, e outros dois convidados: o filósofo e fotógrafo Gustavo Razzera e o artista plástico e advogado, Ricardo Giuliani. O programa também contou com a participação do artista plástico Sandro Ka, via áudio gravado direto de Paris. Escuta, porque é FUNDAMENTAL abrir a mente.

Cena Híbrida apoia a arte e a comunidade LGBTQ. Tamo junto. Escutanóis!

 

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